Informações de Mercado

Gestão dos Investimentos

Breve Histórico da Situação do Mercado Financeiro

O ano de 2020 foi marcado pelo impacto da pandemia do Coronavírus que se iniciou na China no final de 2019, e atingiu Europa, Estados Unidos e América do Sul no 1º trimestre de 2020. Tal evento repercutiu com fortes efeitos na demanda agregada implicando em uma desaceleração da atividade econômica no mundo, bem como, no Brasil. Vale notar que até o final de 2019 tínhamos um cenário de crescimento contratado, pois foi possível aprovar naquele ano a Reforma da Previdência com estimativa de economia de R$ 1 trilhão, que sinalizou para o mercado naquele momento um endereçamento do risco fiscal.

As projeções de PIB para o ano de 2020, em função da forte desaceleração econômica advinda das implicações do Coronavírus, que inicialmente chegaram a prever PIB de -9,0% vieram melhorando ao longo do ano, e encerraram com uma queda em torno de -4,1%, ou seja, mais atenuada uma vez que medidas de sustentação do emprego foram adotadas pelo Governo Federal.

Como os auxílios emergenciais de 2020 foram implementados através da emissão de dívida por parte do Tesouro Nacional, a dívida interna encerrou o ano de 2020 em torno de 88% do PIB. O tema do equilíbrio fiscal é central para a adequada normalização da atividade econômica no longo prazo, e nesse sentido a manutenção da condição de inflação baixa associada a um patamar de juros baixos que produza um crescimento econômico continuado só será possível se a política fiscal obedecer à regra do teto de gastos de modo a que tenhamos um equilíbrio da trajetória da relação dívida/PIB para os próximos anos.

Caso o Governo logre algum êxito no enfrentamento do tema fiscal de modo a estabilizar a questão dos gastos governamentais, seria possível experimentar a conjugação de um quadro de reativação gradual da atividade econômica, o que seria ajudado pelo baixo patamar de juros, aliás, atualmente temos um patamar historicamente baixo de juros reais (juro nominal descontada a inflação), - fato inédito no Brasil.

É fato notório que o juro real baixo é indutivo de crescimento econômico, no entanto, frisa-se que o mercado acompanha de forma atenta o desenrolar a ser dado para a questão fiscal com a aprovação de uma agenda ampla de reformas a fim de que tenhamos um crescimento econômico consistente e continuado.

Os mercados globais seguiram movimentos de forte apreciação para os ativos de risco no mês de dezembro, impulsionados pelo início da imunização contra a Covid-19 em importantes economias e, em virtude disso, os agentes econômicos seguem otimistas com a recuperação do crescimento. Além disso, nos Estados Unidos, houve a aprovação pelo FED de um novo pacote adicional para outra rodada de estímulos monetários.

No Brasil, o cenário também aponta para uma retomada do crescimento, apoiada pela conjuntura internacional e pelo quadro de inflação e juros baixos locais. Na última reunião do COPOM, foi decidido manter a taxa Selic em 2% ao ano. Em tom conservador, o Comitê sinalizou sua preocupação com a evolução das expectativas inflacionárias para o ano de 2021, indicando, naquele momento, para uma possível manutenção dos juros. Em função dessa sinalização, as taxas prefixadas recuaram ao longo da curva de juros em dezembro.
Os mercados acionários continuaram a registrar fortes desempenhos durante o mês de dezembro. O Ibovespa, seguindo o ritmo das principais bolsas, obteve alta de 9,30%. O índice acumulado, saindo do campo negativo, encerrou o ano de 2020 em alta de 2,92%. Nos Estados Unidos, o S&P 500 registrou alta de 3,84%. No mercado de câmbio, novamente, o dólar perde valor frente ao real, com queda de 2,53%.

Os indicadores de inflação local continuam a surpreender as expectativas do mercado, e o aumento dos preços, que antes estava em grande parte concentrado no grupo de alimentos e bebidas, começa a se espalhar de maneira mais consistente em bens duráveis e até em alguns núcleos relevantes para a política monetária.

O IPCA divulgado no mês de dezembro registrou alta de 1,35%, encerrando o ano também com alta de 4,52% - sendo o maior resultado desde 2016. Nos índices IMA, o destaque no mês veio dos ativos com duration superior à cinco anos, performando 7,51%. Adicionalmente, o melhor desempenho no ano da classe veio em função dos ativos com duration de até cinco anos, apresentando alta de 8,04%. Por fim, o IFMM resultou positivamente em 2,09%.

Apesar do desempenho positivo dos ativos de risco, como a bolsa e os IMAs longos, as EFPCs não conseguiram superar seus objetivos de rentabilidade para o ano. O gráfico abaixo apresenta uma comparação entre o desempenho dos planos e a variação média da meta atuarial (INPC + 4,60% a.a.), com base na amostra de planos acompanhados pela ADITUS, consultoria contratada pelo ALEPEPREV:


Observe que o desempenho considera: (i) somente os ativos mobiliários e (ii) taxas brutas, isto é, sem o desconto da taxa de transferência ao PGA – o valor médio dessa transferência, nessa mesma amostra, é de 0,4% ao ano.
O gráfico abaixo apresenta o percentual de planos que superam suas metas em 2020, em cada caso:

Comparativamente ao ano de 2019 no qual o cenário foi mais positivo para o cumprimento das metas estabelecidas, em 2020, com uma alocação em risco mais modesta, grande parte das Fundações tiveram dificuldades em atingir suas metas. Apesar da redução das metas para o exercício de 2020, a alta da inflação – o índice do ano ficou acima do centro da meta definido pelo Conselho Monetário Nacional, que era de 4% - contribuiu para este resultado.
Diante deste contexto, o ALEPEPREV mantém a cautela e acredita que novas oportunidades devem surgir nos próximos anos, através de investimentos em ativos com um maior grau de volatilidade, vistos os baixos níveis das taxas de juros no Brasil.


Fundo de Previdência Complementar da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco
Rua da União, 439 - Boa Vista, Recife - PE cep: 50050-010